Em cada eleição, renova-se a esperança de que o país encontrará novos rumos, novas lideranças e uma política voltada ao bem comum. No entanto, o resultado das urnas mostra, quase sempre, o mesmo retrato: políticos corruptos, demagogos e ineficientes continuam sendo eleitos, perpetuando um sistema que se retroalimenta da miséria moral e da desinformação coletiva.
O problema não está apenas na classe política está, em grande parte, na própria sociedade que a sustenta. A maioria da população, seja por comodismo, dependência de favores, ignorância política ou simples descrença na mudança, termina compactuando com a mesma casta de políticos que há décadas manipula o voto e destrói a esperança nacional. Assim, o poder continua concentrado nas mãos dos mesmos grupos, e o ciclo da corrupção segue firme, alimentado por promessas falsas e pela falta de consciência cidadã.
A troca de votos por migalhas, o assistencialismo usado como moeda de manipulação e a cultura do “jeitinho” tornam-se instrumentos poderosos nas mãos dos demagogos. O povo, muitas vezes vítima, acaba também sendo cúmplice quando escolhe o conforto da ilusão em vez da responsabilidade de fiscalizar e exigir. As consequências são visíveis: serviços públicos precários, desigualdade crescente, insegurança, desemprego e o descrédito total nas instituições.
A democracia, para funcionar de verdade, exige um eleitor consciente e participativo. Mas enquanto o voto for tratado como favor e não como dever cívico, o poder continuará sendo refúgio para os corruptos. É preciso romper esse ciclo com educação política, ética social e senso de coletividade. Não basta culpar os políticos é necessário olhar para dentro da própria sociedade e compreender que a mudança começa na consciência de cada cidadão.
O Brasil não será diferente enquanto o povo continuar escolhendo os mesmos algozes. A corrupção não nasce nos palácios, mas é legitimada nas urnas, quando a maioria se rende às velhas práticas da demagogia. E enquanto a população compactuar com essa estrutura, o futuro permanecerá refém do passado.
Ainda há tempo para mudar o destino do país. A transformação começa quando cada cidadão entende o poder que carrega nas mãos ao votar e o dever que tem de cobrar ética e resultados daqueles que elege. É preciso trocar o desânimo pela consciência, o conformismo pela ação, e a indignação vazia pelo engajamento verdadeiro. O Brasil só encontrará a luz quando seu povo deixar de ser espectador e assumir, com coragem e sabedoria, o papel de protagonista da própria história.
Por: Antônio Fernando da Silva (Fernando CPI) - Registro jornalista: 0002099/AL - MTE Brasil
Rodrigo Vitor Gomes - Registro jornalista: 0002174/AL